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Texto | Museologia


Pinacoteca do Estado de São Paulo: Observações
Pinacoteca do Estado de São Paulo: Informações Gerais
Aspectos de uma Exposição em Museu


Pinacoteca do Estado de São Paulo: Informações Gerais

Por Samara Elizabeth

O Prédio

Construído em estilo neoclássico no final do século XIX (1896), foi inaugurado a 15 de novembro de 1905, tendo como seus fundadores José de Freitas Valle - poeta simbolista e mecenas das artes -, o engenheiro Ramos de Azevedo, Sampaio Viana e o engenheiro Adolfo Pinto.
O prédio abrigou a sede do antigo Liceu de Artes e Ofícios e já transformado em museu, passou a dividir suas instalações com uma faculdade de artes. Sua história registra ainda como inquilinos eventuais: repartições públicas, conservatório musical e tropas de combatentes em 1930 e 1932.

Bastante deteriorado e desacreditado como instituição, esse espaço começou a ganhar novos contornos quando em 1992 o artista plástico Emanoel Araújo assumiu sua direção. Durante dez anos, ele e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha - em parceria com o então governador do Estado de São Paulo, Mário Covas, o Ministro da Cultura, Francisco Weffort e o secretário da Cultura, Marcos Mendonça - foram os grandes responsáveis pela reforma e projeção da Pinacoteca no universo nacional e internacional das artes plásticas, além de terem instaurado o respeito e o alto grau de credibilidade que o museu hoje possui.

Em 1998, após as reformas - totalizadas em R$ 10 milhões, divididos entre o governo estadual e o Ministério da Cultura - a Pinacoteca foi reinaugurada. Ao lado de elementos gregos, como o frontão triangular externo e as colunas internas, surgiram modernos tetos de vidro e passarelas de ferro, que valorizam os grandes espaços abertos. Algumas salas foram climatizadas, o elevador foi instalado e, nas áreas expositivas - praticamente triplicadas - , várias portas acabaram substituídas por estantes, dando mais espaço às peças.
Há, também um auditório com capacidade para 150 pessoas. Além das mudanças nas instalações, houve troca na entrada do prédio: antes feito pela Avenida Tiradentes, o acesso ao museu agora fica na porta lateral, na Praça da Luz. Com a reforma até mesmo o centro antigo da cidade de São Paulo revitalizou-se, tornando-se mais visível; fazendo da nova Pinacoteca parte obrigatória do circuito de artes paulistano.

Para Emanoel Araújo o resultado " é uma nova leitura do edifício, cria dramaticidade e torna o espaço extraordinariamente versátil, até, por exemplo, para uma ópera, um coro."

Agora, neste início de ano, Emanoel Araújo deixou o cargo de diretor da instituição para estar à frente do futuro Museu do Imaginário Brasileiro, a ser inaugurado no prédio do antigo DOPS, quase vizinho da própria Pinacoteca. Quem passou a ocupar o cargo foi Marcelo Araújo, ex-diretor, por 20 anos, do Museu Lasar Segall.
Esta mudança de direção, mas não de rumo, coincidiu com a inauguração de uma singular exposição que veio se somar a outras importantes mostras que também podem ser vistas nas dependências do museu. Trata-se da Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea (fev. - mar. 2002) , do acervo pertencente à TV Cultura de São Paulo. As obras de arte expostas são as mesmas que durante anos serviram de decoração para o programa Metrópolis, exibido pela emissora.

Rubens Gerchman, Tomie Ohtake, Romero Brito e Antonio Lizárraga são apenas alguns dos cerca de cem autores que se predispuseram a tal empreitada. Com isso, a TV Cultura montou um peculiar acervo de arte contemporânea que pôde ser visto em sua quase totalidade.

O Acervo

Com um acervo inicial de 26 quadros, que prestigiavam artistas da época como Pedro Alexandrino, José Ferraz de Almeida Júnior e Oscar Pereira da Silva, hoje a Pinacoteca do Estado reúne em seu acervo cerca de 5 mil obras, entre pinturas, peças em bronze, colagens, desenhos, tapeçarias, porcelanas e louças. A coleção abrange toda a história da pintura brasileira dos séculos XIX e XX. Das 5 mil obras, cerca de 1.500 ficam em exposição, a maioria no segundo andar.

A Sala das Paisagens - 2º andar - traz obras de acadêmicos brasileiros com influência européia. Retratam paisagens urbanas (Antonio Ferrigno, José Washt Rodrigues), marinhas (Castagnetto) e rurais (Antonio Parreiras). Há ainda os trabalhos de Benedito Calixto, João Baptista da Costa e Georgina de Albuquerque.

A obra do pintor ituano Almeida Júnior, conhecido por retratar a vida rural paulista, ocupa uma sala exclusiva. A Pinacoteca tem o maior acervo do artista, grande nome da pintura brasileira do século XIX.

A Sala Academia exibe a arte pompier, de pinturas feitas sob encomenda. São destaques: Oscar Pereira da Silva, Eliseu Visconti e Pedro Weingartner.

A Pinacoteca detém o legado de Pedro Alexandrino, o maior pintor de naturezas-mortas do Brasil, mestre de Tarsila do Amaral, cuja sala dedicada a suas obras reproduz seu ateliê. Perto também fica a galeria de retratos, que homenageia o modo como, antigamente, os museus expunham os quadros, lotando as paredes.

Estão expostas ainda, algumas obras de períodos mais recentes, como a dos modernistas: Brecheret, Tarsila do Amaral, Portinari e Lasar Segall; as obras abstratas e concretistas, predominantes nos anos 50, de Maurício Nogueira Lima, Tomie Ohtake e Manabu Mabe e no espaço que trata da volta da arte figurativa, nos anos 60, a obra de Nelson Leirner.

O átrio Joseph Safra é uma das áreas mais visitadas, já que guarda obras do grande trio da escultura ocidental moderna: Rodin, Maillol e Bourdelle.



Jardim da Luz

O Jardim da Luz foi o primeiro parque público da cidade, inaugurado em 1825 na linha dos jardins estilizados franceses: lago em forma de cruz-de-malta, rodeado de estátuas greco-romanas com alamedas simétricas. Em 1880, sob influência dos jardins ingleses, recebeu acréscimos, como uma cascata com gruta. Neste espaço, a Pinacoteca mantém esculturas de Victor Brecheret, Bruno Giorgi e Lígia Reinach.

O melhor acesso ao Jardim é pelo BRAVOCafé do Ramos que exibe, periodicamente, mostras de fotografia. O café cultural tem uma agenda de atividades culturais, pequenas exposições, leituras e apresentações de cameratas.

***
Com a doação de R$ 1 milhão do governo do Estado, em janeiro de 2001, a instituição acrescentou 66 obras novas ao seu já famoso acervo. Entre os trabalhos adquiridos estão peças de Cícero Dias, Aldo Boandei, Ivan Serpa e Pedro Américo.

O acervo da Pinacoteca nos permite, numa percepção mais fina, compreender o diálogo entre os gêneros e os estilos - em geral, importados - e os artistas brasileiros que dele se reapropriaram. Assim, por exemplo, a arte religiosa até o século XVIII implantando-se no Brasil apenas em meados do século XIX com Estevão Roberto da Silva e Pedro Alexandrino.


Exposições - Setembro 2002

*Antônio Alves de Lima - O local, que agora oficialmente expõe as obras do pintor cearense, o homenageia com mostra contendo onze peças de arte sacra de sua coleção. Também faz parte da seleção vinte telas do autor.
Desde 22 de janeiro de 2002.

*Antônio Carelli - 27 obras ocupando 3 salas no 1º andar, que incluem paisagens, releituras de outros artistas, murais em cerâmica e dois mosaicos.

*Arthur Luiz Piza - sete salas reúnem 185 relevos, peças que identificam a sua arte no mundo inteiro.

*London Baroque - utilizando-se de instrumentos originais do século XVIII, o quarteto inglês de cravo, violoncelo e violinos toca composições do período barroco assinadas por Bach, Vivaldi, Telemann, Haendel e Gaspard Fritz.
Dia 22 de setembro.

*Nobuo Mitsunashi - destaque na Bienal SP de 91, volta à cidade com uma instalação inédita ocupando a área central da Pinacoteca.

*No acervo permanente, destaque para os contemporâneos Baravelli, Nuno Ramos e João Câmara, além de Willys de Castro, um dos expoentes dos movimentos concreto e neoconcreto brasileiro, com 43 trabalhos.

Serviço Educativo e Atividades

A Pinacoteca do Estado de São Paulo era um museu, trancado num edifício neoclássico, cuja arquitetura contribuía para sua postura orgulhosa e estilista, cega à contemporaneidade, alheia a sua cidade – um verdadeiro mausoléu das artes plásticas. As últimas direções do museu procuraram alterar essa situação de anacronismo tão acentuado que não servia nem mesmo como espaço representativo dos interesses de uma nova elite urbana e industrial.

Aos poucos o museu vem adequando-se a uma estrutura moderna quanto aos conceitos museológicos provocando uma alteração da própria vida interna da instituição. A Pinacoteca vem sofrendo um processo de transformação nos métodos e nos critérios de preservação, catalogação, exibição de seu acervo e relacionamento com o público.

A Pinacoteca do Estado adota e desenvolve métodos de visitas guiadas que criam situações, tanto lúdicas como reflexivas referente às obras de arte, procurando associá-las com a educação, com a vida e o mundo. A monitoria existe desde 1976, e vem procurando a melhor forma de trabalhar com o público.

Um dos destaques da monitoria é para o público infantil, realizando um trabalho que tem como prioridade a educação. Sendo assim, se torna necessário também a devida preparação dos monitores, que à medida do surgimento de uma nova necessidade, incorporam determinados métodos pedagógicos e educacionais.

Um arte – educador foi trazido ao museu para o início de um trabalho alternativo no espaço, e também para haver uma maior ligação entre a arte e o ensino. Dessa maneira, foi criada, em 1976, uma atividade chamada de Laboratório de Desenho. Originalmente, era um curso de duração de cinco meses, para adolescentes de 12 a 16 anos. Assim, havia uma melhor interação entre o museu e essas outras atividades.

A fotografia no museu

O Gabinete Fotográfico foi criado em 1980 com o objetivo de diversificar e ampliar as atividades do museu, levando-se em conta a importância da fotografia no processo cultural contemporâneo. Entre os seus objetivos, estavam dar oportunidade a novos fotógrafos, espaço para a discussão da fotografia enquanto manifestação social, cultural e artística e a intenção de ampliar o caráter museológico da instituição incorporando a fotografia como atividade artística de tiragem múltipla.

Na Pinacoteca, a fotografia vem se destacando. Periodicamente são realizadas exposições no Gabinete Fotográfico do museu, e semestralmente, grandes exposições individuais. Dentre as que pertencem ao seu acervo, podemos encontrar desde as mais cotidianas até as mais significativas, na intenção de registro puro e simples para a história do museu.

A museologia conta com um setor de pesquisa, um setor
de documentação artística e um setor de conservação. Esse departamento vem empregando novos métodos de catalogação, e isso acaba fornecendo inúmeras informações sobre as obras de arte. Ainda conta com uma biblioteca e uma hemeroteca, ambas especializadas.

A Pinacoteca não tem um próprio centro restaurador, mas conta com o auxílio de um conservador. Faz parte das obrigações de um museu conservar suas obras, além de proporcionar leituras, exposições, idéias e ir se integrando ao tempo atual. A falta de recursos tem interferido nesse setor, impedindo o desenvolvimento e a criação e edição de textos críticos e históricos sobre a arte brasileira. Mas na realização de um convênio com o DART ( Departamento de Informação de Cultura de São Paulo ) foram feitas inúmeras conferências e debates, reunindo assim um material rico de dados sobre a época contemporânea.

A Pinacoteca tem apoiado artistas com trabalhos e pesquisas não tradicionais oferecendo-lhes espaço para suas exposições. Além disso, a Pinacoteca também oferece um espaço para a criação de performances, ambientes, entre outros. Dessa forma, a Pinacoteca do Estado de São Paulo vem procurando integrar-se a vida da cidade, dinamicamente, visando fazer parte significativa e atuante em nosso processo cultural.

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Referências Bibliográficas

ARTES em cartaz. Folha de São Paulo, S. Paulo, 15 set.2002. Folha Acontece, p.2.
CAMARGO, Carlos de Arruda. A Metrópole em Revista. Disponível em:
<http://www.anhembi.br/portal/canais/colunas/artesespetaculos/coluna70/>
FUNDAÇÃO Nacional de Arte (BR). Pinacoteca do Estado de São Paulo. Rio de Janeiro: Funarte, 1982, p. 20 - 35.
MUSEUS: Pinacoteca do Estado. GuiaSP. Disponível em:
<http://www.guiasp.com.br/mostra_estab.asp?canal=5&id=268>
PINACOTECA do Estado. Guia Fique em São Paulo no fim de semana. - 2 ed. - São
Paulo: Publifolha: AF Comunicações, 2001, p. 97-98.
Revista: Bravo! Apresenta a Pinacoteca


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